
Com o passar do tempo, aquela alegria do natal foi se perdendo, foi diminuindo e foi se tornando fútil. Seu sentido foi-se perdendo com o passar dos anos, conforme fui crescendo. Não sei se o meio capitalista da sociedade influenciou nisso, pois quando éramos pequenos ganhavámos inúmeros presentes ou somente um que fizesse nossa alegria durante o ano inteiro; eram as Barbies, as que falavam ou que tinha o vestido mais bonito já visto em toda face da Terra ou aquela boneca que junto trazia banheira ou uma privadinha que fazia sons legais, talvez o video-game ou o carrinho de controle remoto, não sei! Tinha tanta coisa pra escolher que nos encontravámos perdidos em tantas opções. Natal era o segundo dia mais esperado do ano por mim (o primeiro dia era o meu aniversário rs), nunca soube ao certo o porquê, talvez por estar reunidos todos os tios e primos de longe em um lugar só ou por ter opções de comidas diferentes que só se come no Natal por mera tradição ou era pra ganhar meus tão esperados presentes; bom, não sei dizer o porquê mesmo! Mas cada ano passado, esse dia foi perdendo a graça, a energia... às vezes faltava algum parente ou uma semana antes estavam todos brigados e depois todos aos abraços, não entendia como os adultos faziam as pazes tão rapidamente e as desfaziam também, era um enorme mistério. Conforme a vida, fui tomando conhecimento da falsidade, tendo uma noção dos seus efeitos e comecei a achar que aquilo que acontecia todo ano em um único dia era falsidade, mas me sentia culpada por pensar isso de entes queridos. Entes queridos mesmo? Mas por que queridos se quase desejamos a morte à eles durante todo o ano? Minha opções de presentes foram sumindo, não precisava mais de bonecas e talvez de um mp3 ou um celular. Aquela festa com as mesmas frases e desejos sem mudar sequer uma vírgula... Como uma boa pessoa impaciente, fui me esgotando com isso. E o amor todo que aparecia no natal? E nos momentos de dificuldades, esse amor nunca nem deu as caras... e porque aparecer somente na porra do Natal? Porque se abraçar hoje e desejar prosperidade se amanhã te quero a morte? Percebi que estava certa em relação a falsidade, mas ainda assim nunca soube o verdadeiro sentido do Natal. Várias comidinahs gostosas, presentes, confortos e sentimentos de cumplicidade e prosperidade misturados, mas e aquelas pessoas que estão morrendo de fome a cada segundo que passa e não ganham se quer um desejo de feliz natal? As crianças que não podem escolher presentes e desde pequenas sabem da realidade que vivem... Talvez sorte seja a deles, pois desde pequenos crescem em um mundo repleto de cores, mesmo que o cinza seja o tom principal... e a gente, o nosso mundo rosa de infância? E quando crescemos percebemos outras cores e culpamos o mundo de injusto. Injusto é esse dia de desejos falsos, sentimentos falsos, esse dia era pra ser bom... mas não é. Talvez Natal nem existe e nós mesmos criamos isso como desculpa para podermos ser os mais falsos possível sem que ninguém perceba. Não sei mesmo, mas se alguém algum descobri o sentido desse dia, por favor, me procure! E não for falsidade, alguém me mostre o esconderijo desse amor que se esconde o ano todo e só resolve aparecer no tal dia 24 para o dia 25 de dezembro. :)

0 comentários:
Postar um comentário
Diz ae!